PEC da Segurança Pública avança no Senado com apoio da bancada de Mato Grosso do Sul.

A proposta busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios no combate à criminalidade e será analisada pelos senadores nesta terça-feira.

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PEC da Segurança Pública avança no Senado com apoio da bancada de Mato Grosso do Sul.

Senadores de MS. (Divulgação, Senado)

Dois dos três representantes de Mato Grosso do Sul no Senado Federal declararam apoio à PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição), cuja votação está marcada para esta terça-feira (3), às 16h. Os senadores Soraya Thronicke (PSB) e Nelsinho Trad (PSD) manifestaram-se favoráveis à matéria, que tem como objetivo fortalecer a articulação entre os órgãos de segurança no combate ao crime organizado. Já a senadora Tereza Cristina (PP) não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem.

Para Soraya Thronicke, a proposta representa um passo importante na luta contra a criminalidade e no fortalecimento das instituições encarregadas de garantir a segurança da população. Segundo a parlamentar, o enfrentamento das organizações criminosas exige união de esforços entre os governos federal, estadual e municipal, com troca de informações e ações coordenadas.

"A expansão e a sofisticação das facções criminosas exigem uma resposta integrada do Estado. Não podemos permitir que essas organizações continuem explorando fragilidades institucionais", afirmou a senadora.

Soraya também ressaltou que a segurança pública deve ser tratada como uma pauta suprapartidária, defendendo o fortalecimento dos órgãos responsáveis pela proteção da sociedade.

Nelsinho Trad também destacou a necessidade de maior cooperação entre os entes federativos, especialmente diante das características de Mato Grosso do Sul, estado que faz divisa com Paraguai e Bolívia e enfrenta desafios ligados ao tráfico e à atuação de grupos criminosos.

"Enquanto as organizações criminosas operam de forma integrada e ultrapassam fronteiras, não faz sentido que União e estados trabalhem sem coordenação", observou.

O senador ainda defendeu a atualização das normas de inteligência no país. Relator do Projeto de Lei 6.423/2025, Trad argumenta que a legislação do setor precisa ser modernizada, já que não passa por revisões significativas desde os anos 1990.

Além da repressão ao crime, o parlamentar destacou a importância de ações preventivas e de geração de oportunidades para jovens, frequentemente alvos do recrutamento por facções criminosas. Em relação à redução da maioridade penal, afirmou considerar válida a diminuição da idade de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, mas ressaltou que o tema deve ser analisado com cautela.

"Não sou favorável a uma redução ampla e imediata. É necessário avaliar os reflexos da medida sobre o sistema prisional, que já enfrenta sérios problemas de superlotação", ponderou.

O que muda com a PEC
A PEC 18/2025 propõe uma reformulação da estrutura da segurança pública no país, redefinindo atribuições entre União, estados e municípios e incorporando o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição Federal. O texto também cria mecanismos para ampliar o financiamento destinado ao setor.

Entre as medidas previstas estão o endurecimento das punições para integrantes e líderes de facções criminosas, milícias e grupos paramilitares. O projeto prevê, por exemplo, cumprimento de pena em presídios de segurança máxima, restrições na progressão de regime, confisco de patrimônio e responsabilização de empresas envolvidas com atividades criminosas.

A proposta recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 14 de outubro e teve sua tramitação acelerada após a aprovação de um requerimento que eliminou as sessões de discussão exigidas antes das votações em dois turnos.

O relator da matéria, senador Rogério Carvalho (PT-SE), promoveu alterações no texto que veio da Câmara dos Deputados. Das 81 emendas apresentadas, quatro foram acolhidas. Entre as mudanças está a retirada da proposta que destinava recursos das apostas esportivas para fundos de segurança pública. Por outro lado, foi mantida a transferência de 10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal para investimentos na área.

Durante a análise em plenário, os senadores também devem discutir emendas relacionadas à maioridade penal. Uma das propostas reduz a idade para 16 anos em casos de crimes hediondos. Outra sugere a diminuição para 16 anos como regra geral e para 14 anos em situações envolvendo crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo.

Além da PEC, a pauta do Senado inclui a apreciação de acordos internacionais firmados com Guiana e Venezuela, bem como projetos voltados à conscientização sobre tumores ginecológicos e à promoção da parentalidade positiva.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.