Justiça decide manter atrás das grades ex-gestor acusado de desviar R$ 27 milhões.
Magistrados apontam indícios robustos de envolvimento do ex-dirigente em fraude milionária no setor.
A magistrada May Melke Amaral Penteado Siravegna, responsável pelo Núcleo de Garantias, decidiu manter a prisão do ex‑chefe da regulação estadual de saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, detido pelo Gaeco em 7 de julho durante a Operação Gutenberg. Segundo as investigações, Burgatt teria usado sua posição no Core para pressionar prefeituras a adquirir livros da Editora Avante, empresa ligada à família Jafar.
Em diálogos interceptados, Ed Carlo afirmava que poderia bloquear totalmente a liberação de exames e vagas na rede pública para municípios que não aceitassem participar do esquema. No despacho publicado no Diário da Justiça, a juíza citou dispositivos do Código Penal que justificam a continuidade da prisão preventiva para resguardar a ordem pública, evitar novas práticas criminosas, impedir a coação de testemunhas e reduzir o risco de fuga. Assim, ela rejeitou o pedido apresentado pelo advogado André Stuart: “Indefiro o pedido de revogação da prisão preventiva ou substituição por medidas cautelares diversas formulado por Ed Carlo Britto Burgatt”, registra a decisão.
Manipulação na regulação da saúde
Em outra conversa monitorada, Ed Carlo e o advogado Gabriel Taquino — também investigado — comentavam dificuldades para fechar contrato em Nova Alvorada do Sul. Diante disso, Burgatt afirma que iria “trancar” o fluxo de atendimentos do município e telefonar para o prefeito, reforçando que “se não for pela gente, ninguém ganha”. Ele ainda declara: “Eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada. Saúde zero”. Para o Gaeco, as mensagens evidenciam troca de favores e uso da máquina pública para sustentar o esquema.
As investigações mostram que Burgatt recebia valores altos da Editora Avante, repassados por Rhayane Souza Fanaia, apontada como laranja do grupo. A filha de Ed Carlo, Jessyca Burgatt, também teria sido utilizada na operação. Embora possuísse diversas empresas em seu nome, nenhuma delas tinha relação com o setor editorial, o que, segundo o Gaeco, servia para tentar justificar o dinheiro enviado pela Avante.
Posições das defesas
O advogado Mário Teixeira, que representa Ed Carlo, afirmou que o caso ainda está em fase de apuração e que qualquer conclusão neste momento seria precipitada. Segundo ele, não há elementos concretos que sustentem as acusações.
A defesa de Jessyca Burgatt, conduzida pelo advogado Perceu Jorge, declarou que todos os valores recebidos por ela têm origem lícita e serão comprovados no processo. Ele também negou que empresas particulares estejam envolvidas no esquema.
Presos na Operação Gutenberg
Rossana Paroschi Jafar – dentista e proprietária de gráfica
Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross
Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado da Agesul
Giovanni Paroschi Jafar – empresário
Rhayane Souza Fanaia – apontada como laranja do clã Jafar
Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado
Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed; prisão domiciliar
Joatan Gomes Peixoto – empresário; prisão domiciliar
Matheus Oliveira Peixoto – empresário
Francisco Anízio dos Santos – empresário
Douglas Henrique de Melo – empresário
Paulo Rogério de Melo – empresário
Gabriel Taquino de Paula – advogado
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil
Geancarlo Leal de Freitas – advogado e servidor público; prisão revogada
O único que permanece foragido é o empresário Heyder Bartz.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.