Crise interna: afastado do mandato, Neno Razuk abandona comissionados e repensa 2026.
A saída repentina de servidores amplia a crise interna e alimenta rumores sobre desistência.
O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) antes de ser cassado. Foto-Wagner Guimarães/Alems.
A saída do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, após ter o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, provocou forte descontentamento entre os servidores comissionados que trabalhavam em seu gabinete.
Sem qualquer comunicado oficial do ex-parlamentar e sem definição sobre o encerramento dos vínculos, os assessores foram pegos de surpresa ao serem informados de que precisariam desocupar o espaço para a chegada da equipe do novo deputado estadual.
Razuk perdeu o mandato em maio deste ano depois que a Justiça Eleitoral anulou os votos da suplente Raquelle Trutis (PL), o que levou à recontagem dos votos e alterou o coeficiente eleitoral. Com isso, Neno deixou a cadeira e João César Mattogrosso (PSDB) foi diplomado.
Mesmo após a mudança, os servidores ligados ao ex-deputado permaneceram no gabinete sem qualquer orientação sobre o fim das atividades ou sobre eventuais acertos com Razuk — já que os direitos trabalhistas foram quitados pela própria Assembleia. Diante do desaparecimento político do ex-parlamentar, coube à Casa de Leis avisar aos assessores que deveriam deixar o local para que a nova equipe assumisse.
A situação surpreendeu tanto os funcionários quanto integrantes da bancada do PL. Deputados relatam que, desde que perdeu o mandato, Razuk praticamente deixou de manter contato com antigos colegas, o que gerou dúvidas até sobre a continuidade de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.
Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que a forma como ele conduziu sua saída enfraqueceu qualquer possibilidade de campanha, já que dificilmente alguém disposto a disputar uma vaga federal abandonaria sua própria equipe sem explicações.
Questionado sobre a permanência de Razuk como pré-candidato, o presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, afirmou ao jornalista Bruno de Oliveira, do Capital DO MS News, que não foi procurado pelo ex-deputado e, portanto, desconhece seus planos. Oficialmente, a pré-candidatura segue mantida.
Condenação:
A turbulência política de Razuk ocorre paralelamente ao avanço de um processo criminal. Em dezembro de 2025, ele foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande a 15 anos e 7 meses de prisão, no âmbito da Operação Successione.
A sentença aponta que ele exercia papel de liderança em uma organização criminosa armada voltada à exploração ilegal do jogo do bicho, além de envolvimento em roubo majorado e corrupção.
Apesar da condenação, Razuk recorre em liberdade. Em janeiro deste ano, os embargos de declaração apresentados pela defesa foram rejeitados, mantendo a decisão enquanto o caso segue para instâncias superiores. Até o trânsito em julgado, ele continua sendo presumido inocente.
Procurado para comentar a situação dos ex-servidores, esclarecer se mantém a pré-candidatura e se pretende se manifestar sobre sua saída da Assembleia, Razuk não foi encontrado. Até o fechamento da reportagem, não houve retorno aos contatos. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Saiba mais:
Raquelle Trutis teve seus 10.782 votos de 2022 anulados após condenação por gasto ilícito de campanha. A ação, proposta pelo Ministério Público, foi reconhecida pelo TRE em 2024 e confirmada pelo TSE em 2025.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.