Crise diplomática: por que Irã e EUA romperam o acordo e quais os próximos passos.

Rompimento expõe fragilidades diplomáticas e abre espaço para novos riscos no Oriente Médio.

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Crise diplomática: por que Irã e EUA romperam o acordo e quais os próximos passos.

Presidente dos Estados Unidos da América, Donaldo Trump - Foto: Arquivo.

Menos de um mês depois de Washington e Teerã firmarem um memorando que prorrogava o cessar‑fogo entre os dois países, Donald Trump declarou nesta quarta‑feira, 8, que a trégua “chegou ao fim”. O documento, assinado em 18 de junho, previa a liberação do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial e estabelecia um período adicional para tentar encerrar o conflito que já se arrastava havia meses. Apesar disso, o clima de tensão nunca foi realmente reduzido.

Em 26 de junho, os Estados Unidos lançaram ataques contra instalações militares iranianas, alegando que o Irã havia atingido um navio na região com um drone no dia anterior. O Comando Central americano afirmou que a ação iraniana violava o acordo, enquanto Trump classificou o episódio como uma “quebra irresponsável” da trégua. No dia seguinte, novas ofensivas americanas ocorreram sob a mesma justificativa.

Na terça‑feira, 7, Washington revogou uma licença que suspendia temporariamente sanções sobre o petróleo iraniano, argumentando que o comportamento de Teerã em Ormuz era “inadmissível”. Poucas horas depois, o Centcom confirmou novos bombardeios, dizendo que eram uma resposta a ataques iranianos contra três embarcações que transitavam pelo estreito. O governo do Irã não assumiu responsabilidade por esses incidentes.

Após as novas investidas americanas, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de descumprirem o acordo. Ele afirmou nas redes sociais que o tempo da “intimidação” havia terminado e que o país não se curvaria. Já o comando militar Khatam al‑Anbiya classificou as ações dos EUA como “agressão explícita” e prometeu uma “retaliação esmagadora”. A resposta veio na madrugada desta quarta‑feira, quando a Guarda Revolucionária anunciou ter atingido 85 alvos militares americanos no Kuwait e no Bahrein, utilizando mísseis e drones. Segundo os iranianos, um drone MQ‑9 dos EUA também foi derrubado.

Questionado sobre o status do cessar‑fogo, Trump afirmou que, para ele, a trégua estava encerrada. Durante a cúpula da Otan em Ancara, disse que os negociadores americanos estavam “perdendo tempo” e fez duras críticas ao governo iraniano, acusando seus líderes de serem “perversos e violentos” e afirmando que, se possuíssem uma arma nuclear, “a usariam”.

O presidente americano também acusou Teerã de distorcer o acordo, dizendo que o Irã estaria negando pontos que haviam sido acertados, especialmente a proibição de desenvolver armamento nuclear. Após suas declarações, o mercado reagiu: o preço do petróleo subiu mais de 6%, com o Brent chegando a US$ 78,80 e o petróleo americano a US$ 75.

O futuro das negociações permanece indefinido. As conversas só devem ser retomadas após o funeral do ex‑líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no primeiro dia do ataque conjunto dos EUA e de Israel. A cerimônia, que já dura vários dias, deve terminar na quinta‑feira, 9.

Com o aumento da tensão, o secretário‑geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, recomendou que embarcações comerciais evitem navegar pelo Estreito de Ormuz, para não expor cerca de 6 mil marítimos retidos no Golfo Pérsico a riscos desnecessários.

A escalada também repercutiu na reunião da Otan. O secretário‑geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que os ataques dos EUA foram “absolutamente necessários”, acusando o Irã de violar o cessar‑fogo e de atacar navios comerciais. Já Kaja Kallas, vice‑presidente da Comissão Europeia, disse que os bombardeios ao Bahrein e ao Kuwait tornam ainda mais difícil avançar nas negociações e classificou as ações como “inaceitáveis”. Ela lembrou que o memorando previa a reabertura do Estreito de Ormuz e que os ataques iranianos contra embarcações violam esse compromisso, ameaçando a retomada do fornecimento de energia.

Kallas também informou que, na segunda‑feira, 13, ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reunirão com representantes do Golfo para discutir formas de apoiar a implementação do acordo e garantir a liberdade de navegação na região.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.