Reinaldo Azambuja consolida influência sobre a direita de MS após as urnas.
Após os resultados eleitorais, grupo político ligado ao ex-governador mantém protagonismo e amplia influência entre lideranças conservadoras do Estado.
Embora o governador Eduardo Riedel (PP) tenha conquistado uma expressiva reeleição ao alcançar 67% dos votos, o grande vencedor político do processo eleitoral acabou sendo o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). A composição das bancadas eleitas evidenciou a força do grupo político liderado por Azambuja, que conseguiu emplacar nomes de sua confiança em diferentes espaços do Legislativo estadual e federal.
O resultado demonstrou que a influência do ex-governador ultrapassa os limites de seu partido. Além dos candidatos que migraram para o PL sob sua articulação, também obtiveram sucesso aliados distribuídos em outras legendas, além de apadrinhados políticos e lideranças diretamente vinculadas ao seu projeto. Na prática, a eleição consolidou a predominância do chamado "azambujismo" no Mato Grosso do Sul, fortalecendo um grupo que já exerce protagonismo na política estadual há mais de uma década e meia.
Em contrapartida, os candidatos mais identificados com a gestão de Eduardo Riedel não conseguiram transformar a estrutura administrativa e o capital político do governo em vitórias nas urnas. O desempenho dos ex-integrantes do primeiro escalão chamou atenção justamente por contrastar com a força demonstrada pelos aliados de Azambuja.
Entre os casos mais emblemáticos está o de Jaime Verruck (Republicanos). Ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, ele acumulou passagem pelos governos de Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel e era considerado uma das principais apostas para representar o Executivo em Brasília. Apesar de ter obtido 49.585 votos e contar com uma campanha robusta, que movimentou cerca de R$ 2,3 milhões em recursos, Verruck não alcançou uma vaga na Câmara dos Deputados e terminou a disputa na condição de primeiro suplente. Nos bastidores políticos, sua candidatura era vista como um projeto estratégico do governo estadual.
A lista de derrotados também inclui outros nomes importantes da administração estadual. Viviane Luiza (PSDB), candidata a deputada federal, encerrou a disputa com 45.083 votos, insuficientes para garantir uma cadeira. No âmbito estadual, Marcelo Miranda (PP), Eduardo Rocha (PSDB) e Dione Hashioka (União Brasil) também ficaram fora da Assembleia Legislativa. Todos ocupavam ou ocuparam posições relevantes dentro da estrutura governamental e eram considerados quadros de destaque do grupo ligado diretamente ao atual governador.
O cenário que emergiu das urnas reforça a leitura de que a sucessão política construída por Reinaldo Azambuja continua exercendo forte influência no estado.
Mesmo sem ocupar o comando do Executivo, o ex-governador demonstrou capacidade de articulação e poder de mobilização suficientes para manter sua base fortalecida, garantindo aliados em posições estratégicas e ampliando seu peso nas decisões políticas dos próximos anos.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.