Polícia iniciou em 2022 as investigações sobre desvio de R$ 27 milhões.
Operação Gutenberg revelou que grupo usava regulação de saúde como moeda de troca.
Foto-tirada pelo Jornalista: Jocemar Gutierres, do CAPITAL DO MS NEWS.
As apurações que resultaram na detenção de 16 pessoas suspeitas de participar do desvio de R$ 27 milhões em prefeituras de Mato Grosso do Sul teriam sido iniciadas em 2022.
Segundo o advogado André Stuart, que representa cinco dos investigados, o processo é volumoso e reúne informações telemáticas — como mensagens de WhatsApp e e-mails — coletadas ao longo desses anos.
Ele afirma que o material exige análise técnica detalhada: “Será necessário examinar cuidadosamente tudo o que está nos autos para definir a linha de defesa”, explicou.
Mesmo assim, Stuart relata que as defesas ainda não tiveram acesso ao processo. “Estamos sendo prejudicados. A audiência de custódia foi realizada sem que soubéssemos o conteúdo dos autos. Protocolamos uma petição ontem na Vara e continuamos sem acesso. Isso viola a Lei. Sem conhecer os fundamentos das prisões, a defesa fica limitada”, disse.
Prisões mantidas após audiência de custódia:
Parte dos detidos por envolvimento no esquema de R$ 27 milhões teve a prisão preventiva confirmada na manhã desta quarta-feira (8). Foram apresentados na custódia:
Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core)
Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado da Agesul, filho de Rossana Jafar
Olívia Paroschi Jafar – médica, filha de Rossana e irmã de Felipe
Joatan Gomes Peixoto – empresário
Francisco Anízio dos Santos – empresário
Douglas Henrique de Melo – empresário
Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas
Matheus Oliveira Peixoto – empresário
Gabriel Taquino de Paula – advogado
As audiências das presas Jéssyca Burgatt e Rossana Jafar ficaram para quinta-feira (9), já que os mandados foram cumpridos oficialmente após o meio-dia de terça-feira.
Ex-prefeito, empresários e servidores envolvidos:
Entre os alvos da operação está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, que também atua como escrivão da Polícia Civil.
Ed Carlo Britto Burgatt foi preso junto da filha, Jéssyka Duarte Burgatt, proprietária de um plano de saúde em Campo Grande.
Outro grupo familiar citado é o da dentista Rossana Paroschi Jafar, dona da Clínica Ross, e seus filhos Olívia e Felipe, ligados à área da saúde e à Agesul.
Também foram detidos os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, responsáveis por negócios de veículos e casas noturnas na capital.
Há ainda a participação de advogados, entre eles Gabriel Taquino de Paula e outro profissional que não teve o nome divulgado.
O governo estadual informou que servidores envolvidos serão afastados ou exonerados, conforme o vínculo. Além disso, foi instaurada uma auditoria para verificar possíveis irregularidades nos procedimentos da área da saúde.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.