Landmark participou de audiência pública de prestação de contas da Saúde.

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Landmark participou de audiência pública de prestação de contas da Saúde.

Durante Audiência Pública realizada na manhã desta sexta-feira (27), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apresentou a prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre de 2025 aos vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande. O secretário Marcelo Vilela detalhou os dados financeiros, a produção da rede municipal e respondeu aos questionamentos parlamentares.

Na ocasião, o vereador Landmark Rios (PT) fez uma defesa enfática da valorização dos profissionais do SUS e cobrou políticas internas de acolhimento e cuidado com os servidores da rede. Segundo o parlamentar, é preciso olhar para dentro da Secretaria e fortalecer quem está na linha de frente do atendimento à população.

“Percebemos muitos servidores sofrendo pressão psicológica, com ansiedade, com problemas de saúde. Muitos profissionais comprometidos com o SUS, mas sem o devido reconhecimento. É necessário que a Secretaria olhe para dentro, que o RH desenvolva uma política pública interna de valorização e acolhimento aos servidores”, afirmou.

Landmark destacou que as unidades de saúde precisam de mais presença da gestão e acompanhamento direto. “As nossas unidades precisam de acolhimento. O secretário e sua equipe precisam ir nas unidades, chegar de surpresa, conversar com os servidores. Quem cuida precisa ser cuidado para poder cuidar bem da população”, reforçou.

O vereador também apontou a necessidade de qualificação técnica nas farmácias das unidades, melhorias estruturais e atenção aos equipamentos, lembrando situações anteriores de falta de câmaras frias, problemas em compressores odontológicos e carências em unidades especializadas.

Apesar das cobranças, Landmark fez questão de reconhecer o atendimento do secretário em situações emergenciais. “Já precisei ligar às 11 horas da noite por causa de uma transferência de paciente, e o secretário atendeu e providenciou a ambulância. Mas precisamos transformar essas respostas pontuais em política estruturada”, pontuou.

Denasus e eventual CPI

Durante sua fala, o vereador também abordou a auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) nas contas da saúde municipal. Landmark informou que encaminhou ofício ao Denasus solicitando informações sobre o andamento de uma fiscalização realizada semanas atrás, e aguarda o relatório oficial para tomar posição sobre eventual abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara.

“Eu fiz um ofício ao Denasus e estou no aguardo do relatório. Só vou votar pela abertura ou não de CPI depois de analisar esse documento. Precisamos dar uma resposta responsável à sociedade”, declarou.

O secretário Marcelo Vilela afirmou que não é contrário às auditorias e defendeu transparência. “Sobre o Denasus, queremos que faça auditoria. Auditoria é para apontar o que precisa melhorar. Nossa auditoria interna tem liberdade para atuar e, quando fui secretário anteriormente, várias auditorias foram feitas e foram favoráveis à gestão. A proposta é ser uma Secretaria aberta, não fechada”, disse.

Desafios financeiros e produção da saúde

Durante a apresentação, o secretário informou que 33% do orçamento municipal é investido na saúde, mas o recurso ainda é considerado insuficiente devido ao subfinanciamento tripartite (União, Estado e Município).

Entre os números apresentados:

2.593.269 procedimentos na Atenção Primária no quadrimestre

28.348 procedimentos hospitalares, com valor aprovado de R$ 74,4 milhões

1.531.982 procedimentos ambulatoriais especializados, totalizando R$ 48,8 milhões

R$ 38 milhões sequestrados do Fundo Municipal de Saúde em 2025 devido à judicialização

O secretário destacou que o maior desafio atual é manter o estoque regular de medicamentos.

Fornecedor denuncia atraso de pagamentos

A audiência também foi marcada pela manifestação do empresário Alex Tognasini, fornecedor de produtos médicos ao município, que relatou atraso superior a R$ 531 mil em notas fiscais com mais de 400 dias.

“Tenho 14 funcionários. Se a situação não se resolver, vou ter que fechar minha empresa. Já abri minha empresa num domingo para entregar material para salvar uma criança. Mas o que recebo em troca é mais de um ano de atraso”, afirmou. O empresário relatou dificuldades recorrentes para receber os pagamentos e disse que a situação se tornou insustentável.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.