Empresário Francisco Anízio, apontado como chefe da Operação Gutemberg, tem pedido de habeas corpus rejeitado.

HC é recusado após Justiça avaliar elementos que sustentam suspeita de chefia no esquema.

Publicado em
Empresário Francisco Anízio, apontado como chefe da Operação Gutemberg, tem pedido de habeas corpus rejeitado.

O empresário Francisco Anízio dos Santos teve o pedido de habeas corpus rejeitado pela Justiça.

Ele é investigado na Operação Gutenberg, conduzida pelo Gaeco, que apura um esquema de desvio de aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos.

A defesa de Anízio tentou derrubar a prisão preventiva primeiro na 1ª instância, sem sucesso. Em seguida, levou o caso ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde novamente recebeu uma negativa.

O juiz responsável pelo processo, Deyvis Ecco, informou ao relator que a denúncia contra os envolvidos já foi aceita e que as prisões foram mantidas.

Francisco foi detido em 7 de julho, durante a deflagração da operação, e é apontado como um dos articuladores do esquema, ao lado de Rossana Paroschi Jafar e Heyder Bartz.

 
O clã Jafar e o esquema investigado:
Segundo o relatório do Gaeco, após a morte de Mirched Jafar em 2021, vítima de covid, a família — liderada pela viúva Rossana Jafar e pelos filhos Olívia, Giovanni e Felipe — teria criado novos CNPJs para continuar práticas ilícitas.

A Gráfica Alvorada, ainda pertencente ao grupo, já havia sido citada em investigações da Operação Lama Asfáltica por suspeita de lavagem de dinheiro. A quebra de sigilo fiscal revelou que a família recebia diversas transferências da Editora Avante, empresa que firmava contratos com prefeituras.

Para o Gaeco, Rossana seria a principal responsável pelo esquema envolvendo a editora, que utilizava o nome de Rhayane Fanaia, então esposa de Giovanni.

 
Operação Gutenberg:
A investigação teve início em 2023 e resultou na operação deflagrada em 7 de julho de 2026. Foram solicitadas 16 prisões, das quais 15 foram cumpridas.

A Editora Avante, registrada em São Bernardo do Campo e com capital social de apenas R$ 40 mil, fechou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda pouco tempo após ser criada. Com a quebra de sigilo fiscal e telemático, o Gaeco identificou ao menos 17 prefeituras com contratos suspeitos.

O grupo, segundo o Ministério Público, pressionava prefeitos utilizando a estrutura da regulação estadual de saúde, oferecendo liberação de procedimentos como moeda de troca para a compra dos livros da editora.

 
Denúncia aceita:
A Justiça recebeu a denúncia do Gaeco e transformou 17 investigados em réus por utilizarem a regulação de saúde como instrumento de coerção para obrigar municípios a adquirir materiais didáticos da Editora Avante.

A decisão, assinada pelo juiz Deyvis Ecco, foi registrada nos autos, que seguem sob sigilo.

 
Lista de réus:
Rossana Paroschi Jafar – presa
Olívia Paroschi Jafar – prisão domiciliar
Felipe Paroschi Jafar – preso
Giovanni Paroschi Jafar – preso
Rhayane Souza Fanaia – presa
Ed Carlo Britto Burgatt – preso
Jéssyca Duarte Burgatt – prisão domiciliar
Joatan Gomes Peixoto – prisão domiciliar
Matheus Oliveira Peixoto – preso
Francisco Anízio dos Santos – preso
Douglas Henrique de Melo – preso
Paulo Rogério de Melo – preso
Gabriel Taquino de Paula – preso
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior (Junior Vasconcelos) – preso
Heyder Bartz – foragido
Inácio da Silva Espíndola – não foi preso


O advogado Geancarlo Leal de Freitas, que chegou a ser detido, teve a prisão revogada e não integra a denúncia. Segundo seu defensor, Tiago Bunning, ficou comprovado que ele não participou de qualquer ato ilícito.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.