Deputados evitam associar Flávio Bolsonaro na propaganda eleitoral.

Deputados priorizam discurso próprio e deixam herdeiro político em segundo plano.

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Deputados evitam associar Flávio Bolsonaro na propaganda eleitoral.

Zé Teixeira, Jerson Domingos, Gerson Claro e Santullo da Tereza são alguns dos nomes que deixaram Flávio Bolsonaro de fora do horário eleitoral gratuito - Foto: Reprodução/Montagem.

Nas primeiras inserções do horário eleitoral gratuito de rádio e televisão em Mato Grosso do Sul, um detalhe chamou bastante atenção: diversos candidatos ligados ao campo conservador preferiram não destacar a figura de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República em 2026.

A ausência foi notada mesmo dentro de uma coligação ampla, formada por dez partidos, que reúne nomes de peso da política estadual e busca consolidar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a eleição de Reinaldo Azambuja (PL) ao Senado.

Além de Flávio, outro personagem que acabou sendo deixado de lado em algumas propagandas foi o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), que concorre a uma das duas vagas ao Senado.

Em várias peças exibidas, candidatos preferiram dar visibilidade apenas a Azambuja, ignorando a presença de Contar, apesar de ambos integrarem o mesmo bloco governista. Essa escolha estratégica sugere uma tentativa de evitar divisões internas ou de se alinhar apenas ao nome considerado mais competitivo dentro da coligação.

Entre os que não mencionaram Flávio Bolsonaro em seus materiais estão políticos de diferentes partidos da aliança, como Jerson Domingos (União Brasil), Jamilson Name (PP), Gerson Claro (PP), Pedrossian Neto (Republicanos), Antônio Vaz (Republicanos), Zé Teixeira (PL), Professor Rinaldo Modesto (União), Santullo da Tereza (PP), Caravina (PSDB), Bárbara Resende (União), Cria do Aero Rancho (Republicanos) e Dione Hashioka (União). Curiosamente, parte desses nomes também deixou de fora qualquer referência a Capitão Contar, reforçando apenas Azambuja como candidato ao Senado.

A postura contrasta com a de eleições anteriores. André Puccinelli (MDB), por exemplo, que agora concorre a deputado estadual, também não incluiu Contar em sua propaganda.

Isso chama atenção porque, em 2022, Puccinelli havia declarado apoio ao ex-deputado no segundo turno da disputa pelo governo estadual. A mudança de posicionamento sugere uma reconfiguração das alianças e prioridades, especialmente após a desistência de Nelsinho Trad (PSD) em buscar a reeleição ao Senado.

Trad, que era o preferido de Puccinelli, acabou aceitando ser suplente de Azambuja, o que alterou significativamente o cenário político.

Com a saída de Nelsinho, Contar permaneceu como o segundo candidato ao Senado dentro da coligação governista. No entanto, parte da base política que antes apoiava Trad começou a migrar para Vander Loubet (PT), que aparece bem posicionado nas pesquisas e tem conquistado apoio de prefeitos do interior, inclusive de gestores ligados ao bolsonarismo. Mais de 40 prefeitos já declararam apoio ao petista, muitos deles antes alinhados a Nelsinho.

Esse movimento fortalece Vander e cria dificuldades para Contar, que não conseguiu herdar automaticamente o espaço deixado pelo senador do PSD.

Um exemplo claro dessa movimentação é o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL). Apesar de pertencer ao mesmo partido de Contar e Azambuja, Ferro anunciou que seus dois votos ao Senado serão divididos entre Azambuja e Vander Loubet.

Segundo ele, a decisão se deve ao histórico de parceria com Vander, que teria contribuído com recursos e projetos para o município. Situação semelhante ocorreu em Glória de Dourados, onde o prefeito Julio Buguelo (PSD) também declarou apoio a essa composição.

Esses episódios revelam como a disputa pelo Senado em Mato Grosso do Sul se tornou complexa e fragmentada.

A ausência de Flávio Bolsonaro e de Capitão Contar em várias propagandas eleitorais não parece ser apenas um detalhe estético, mas sim um reflexo das tensões internas e da necessidade de candidatos locais equilibrarem suas alianças diante de um cenário em constante transformação.

A força de Vander Loubet no interior, somada à estratégia de prefeitos que buscam garantir benefícios para suas cidades, pode redefinir os rumos da eleição e enfraquecer a unidade que a coligação governista tenta demonstrar.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.