João Henrique Catan diz ‘Deveria ter uma CPI da Fiems’, após repasse de R$ 7 milhões à federação.
João Henrique Catan é deputado estadual de Mato Grosso do Sul pelo PL. (Luciana Nassar, Alems)
Articulação do ex-secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) para repasse de R$ 7 milhões à Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) deveria ser alvo de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na opinião do deputado estadual João Henrique Catan (Novo).
“Esse convênio de R$ 7 milhões com a Fiems levanta preocupações sérias. Estamos falando de dinheiro público sendo repassado a uma entidade que já enfrenta questionamentos, sem que a sociedade tenha acesso claro às regras, metas, indicadores de resultado e mecanismos de fiscalização. Isso é inaceitável”, afirma Catan ao Jornal CAPITAL DO MS NEWS.
A declaração surge após convênio para repasse de R$ 7 milhões à Fiems articulado pelo ex-secretário Jaime Verruck — antes de sua saída da Semadesc.
Ele deixou o cargo no governo no dia 1º de abril para concorrer nas eleições deste ano, buscando vaga na Câmara Federal pelo Republicanos.
Por isso, Catan defende a criação de uma CPI. “Eu sempre defendi o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul, geração de emprego e atração de investimentos. Isso é fundamental. Mas desenvolvimento não pode ser sinônimo de falta de transparência”, diz.
Para o parlamentar, o repasse milionário para a Fiems é a repetição de um modelo. “Recursos públicos sendo direcionados sem a devida clareza, sem controle social e com risco de baixa efetividade. Dinheiro público não admite obscuridade. Esses R$ 7 milhões precisam se transformar em resultado concreto. O que não dá mais é para aceitar ‘caixa-preta’ com dinheiro do cidadão”, opina à reportagem.
Presidente da Fiems, Sérgio Longen, ao lado de Verruck. (Divulgação, Kelly Ventorim)
Convênio de R$ 7 milhões para a Fiems
O convênio foi publicado no Diário Oficial do Estado, na sexta-feira (10), sob assinatura de Verruck datada do dia 8, uma semana após sua saída da pasta. Já nesta segunda-feira (13), o Diário Oficial fez nova publicação alegando correção de informação. A diferença entre os documentos é que agora quem assina é o adjunto que assumiu a Semadesc, Artur Henrique Leite Falcette.
Segundo apurado pelo Jornal CAPITAL DO MS NEWS, apesar da correção, servidores afirmam que os trâmites administrativos foram conduzidos durante a gestão do ex-secretário, que ficou mais de 11 anos à frente da pasta de desenvolvimento econômico de MS.
Verruck já atuou como diretor do Senai e do IEL. Por fim, foi diretor corporativo da Fiems antes de assumir cargos na gestão estadual, em 2015.
Conforme a publicação, o convênio prevê a realização de estudos técnicos e de mercado para ‘identificar novas oportunidades de negócios’. Com um valor global de R$ 7,7 milhões, sendo R$ 700 mil de contrapartida da entidade, o acordo estabelece que caberá à Fiems, presidida pelo empresário Sérgio Marcolino Longen, a responsabilidade de definir os fornecedores e a forma como o recurso será aplicado.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.