Câmara Municipal de Campo Grande cancela sessão e audiência pública para velório de Nelly Bacha.

Casa de Leis decretou luto de três dias pela morte da ex-vereadora e ex-prefeita da Capital.

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Câmara Municipal de Campo Grande cancela sessão e audiência pública para velório de Nelly Bacha.

Foto-Correio do Estado.

A Câmara de Campo Grande cancelou a sessão ordinária e audiência pública prevista para esta quinta-feira (9), para realização do velório da ex-vereadora e ex-prefeita de Campo Grande, Nelly Elias Bacha, que faleceu aos 84 anos nesta quarta-feira (8). O velório da ex-parlamentar acontecerá no plenário Oliva Enciso, em horário a confirmar.

Nelly foi vereadora da Câmara Municipal de 1973 a 1988. Presidiu a Casa de Leis nos de 1983 e 1984. Neste período, em 1983, durante pouco mais de dois meses, assumiu a Prefeitura da Capital, tornando-se a primeira mulher prefeita de Campo Grande.

Nelly tinha Parkinson há cerca de oito anos e, mais recentemente, estava acamada, sempre acompanhada por cuidadoras. Sua cunhada Marina Bacha a acompanhava em consultas médicas e internações. Professora Nelly morava na mesma casa há cerca de 60 anos, na Rua 15 de Novembro, bem no Centro de Campo Grande.


 

Mesmo com avanço da doença, que resultou em dificuldades motoras, ela continuava lúcida e sempre relembrava os episódios da sua carreira política.

Ainda criança, mudou-se com a família para Campo Grande. Formou-se em Filosofia e em Direito. Foi professora de escolas públicas e presidiu a ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), onde lutou por vários direitos dos professores e pela realização de concurso para a categoria.

Nelly ingressou na política como vereadora pelo MDB. Tinha como principais referências o ex-governador Wilson Barbosa Martins, o ex-prefeito Plínio Barbosa Martins e Ulysses Guimarães, que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte. Professora Nelly sempre foi filiada ao MDB.

Além da história como parlamentar, Nelly também teve seu nome envolvido no crime de racismo. Em 2020, ela foi condenada a um ano de reclusão, com pena substituída por pagamento de um salário mínimo à instituição de caridade, por injuriar racialmente uma desconhecida dela na fila do supermercado.

De acordo com o relato da vítima, ela apenas fez uma pergunta ao atendente do açougue, quando ouviu a ex-prefeita orientar a funcionária que a acompanhava para que não deixasse a mulher passar na frente delas. “Passa na frente! Entre na frente dessa preta que eu tenho mais o que fazer. Preto nasceu para me servir”, disse Nelly, segundo consta no boletim de ocorrência, em relato confirmado por mais três testemunhas.

A vítima resolveu representar criminalmente contra a ex-prefeita em 2014 e Nelly foi condenada a 1 ano de reclusão e 10 dias-multa, esta no valor unitário de 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos.

No entanto, na época, a defesa de Nelly, que tinha 79 anos, provou nos autos que a ex-prefeita era ré primária.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.