Brasil fica fora de aliança liderada por Trump contra narcotráfico nas Américas.
Enquanto 19 países aderem à iniciativa liderada por Donald Trump para ampliar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado, o governo brasileiro defende uma estratégia própria de segurança, baseada na cooperação internacional sem abrir mão da soberania nacional.
Durante reunião realizada nesta terça-feira (22), em Nova York, paralelamente à Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou a articulação do chamado Escudo das Américas, uma aliança voltada ao fortalecimento da cooperação regional no enfrentamento ao narcotráfico e às organizações criminosas transnacionais. Atualmente, a iniciativa reúne 19 países da América Latina e do Caribe, mas conta com a ausência de duas das maiores nações da região: Brasil e México.
O grupo é formado por países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, além dos próprios Estados Unidos. A proposta central da coalizão é ampliar o intercâmbio de informações de inteligência, promover operações conjuntas e coordenar estratégias de segurança para combater o avanço de redes criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.
Durante o encontro, Trump destacou a necessidade de uma resposta mais firme e integrada dos governos da região contra o crime organizado. Segundo ele, as organizações ligadas ao narcotráfico representam um desafio comum para os países do continente e exigem ações coordenadas para reduzir sua influência e capacidade de atuação.
Como parte desse esforço, os integrantes do Escudo das Américas anunciaram medidas conjuntas direcionadas a 24 grupos criminosos considerados prioritários. Entre as organizações citadas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, facções brasileiras que possuem atuação em diferentes países da América do Sul e são frequentemente associadas ao tráfico internacional de drogas, armas e outros crimes.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma posição diferente em seu discurso na ONU. O chefe do Executivo brasileiro afirmou que o país continuará intensificando o combate ao crime organizado com estratégias próprias e mantendo parcerias internacionais quando necessário, mas sem abrir mão da autonomia nacional na definição de suas políticas de segurança pública. Lula ressaltou ainda que a soberania brasileira deve permanecer como princípio fundamental em qualquer cooperação com outros governos.
Dessa forma, embora o Brasil reconheça a importância da colaboração internacional para enfrentar ameaças transnacionais, o país opta por não integrar o Escudo das Américas neste momento, mantendo uma abordagem independente para lidar com o avanço das organizações criminosas. O México também permanece fora da iniciativa liderada pelos Estados Unidos.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.