Bolsonaro afasta Michelle e frustra investida de Pollon pelo Senado em Mato Grosso do Sul.
Movimento interno no partido reforça Contar como nome ao Senado e esvazia a articulação de Pollon.
A tensão entre Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, e o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que hoje se coloca como pré-candidato à Presidência, praticamente desmontou a principal aposta do deputado federal Marcos Pollon (PL) para tentar reverter a decisão da direção nacional do partido e assumir a segunda vaga ao Senado por Mato Grosso do Sul.
Segundo apuração do Capital do MS News, Pollon contava com a influência de Michelle sobre Jair Bolsonaro para convencê-lo a substituir o ex-deputado estadual Capitão Contar como nome do PL ao Senado. Porém, o agravamento do conflito dentro da família Bolsonaro enfraqueceu totalmente essa estratégia.
Lideranças do PL no Estado confirmaram que Jair Bolsonaro só assistiu ao vídeo publicado por Michelle — no qual ela critica o filho, Flávio — dois dias após a repercussão nas redes sociais, e sua reação foi extremamente negativa. O ex-presidente afirmou que não autorizou a divulgação do conteúdo e reprovou a atitude da esposa.
A resposta teria sido dura: Bolsonaro pediu que Michelle deixasse a presidência nacional do PL Mulher, descartou qualquer possibilidade de ela concorrer ao Senado pelo Distrito Federal e ainda recomendou que ela se afastasse de manifestações políticas públicas.
Com Michelle politicamente isolada, Pollon perdeu justamente a figura que considerava essencial para tentar reabrir a discussão sobre a vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul. Mesmo após o anúncio oficial de Capitão Contar como pré-candidato, o deputado ainda nutria a esperança de uma intervenção direta de Bolsonaro. Nos bastidores, aliados afirmavam que Pollon acreditava que Michelle conseguiria convencê-lo a rever a decisão tomada por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.
Pollon também avaliava que Bolsonaro não gostaria de repetir o que considera um erro das eleições municipais de 2024, quando apoiou Beto Pereira na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, resultado que terminou em derrota. Outra alternativa cogitada pelo deputado seria pedir ao ministro Alexandre de Moraes autorização para visitar Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e tentar defender pessoalmente sua permanência na disputa.
Com Michelle afastada das decisões estratégicas e sem força interna, aliados de Pollon reconhecem que as chances de mudança se tornaram praticamente nulas, consolidando a escolha de Capitão Contar. A definição ocorreu na quarta-feira, durante reunião da executiva nacional do PL em Brasília.
Ao oficializar o nome de Contar, Valdemar Costa Neto garantiu que ele terá “o apoio de todo o partido”. O pré-candidato comemorou e afirmou que agora o foco será organizar a pré-campanha e preparar a convenção que homologará a chapa.
O presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, explicou que a escolha seguiu o acordo firmado pela direção nacional, que previa a definição do segundo nome ao Senado com base em pesquisas. Levantamentos da Quaest e do Paraná Pesquisas mostraram desempenho superior de Capitão Contar em relação a Pollon. Os resultados foram enviados a Valdemar, ao secretário-geral Rogério Marinho e ao senador Flávio Bolsonaro, servindo de base para a decisão final.
Procurado, Pollon afirmou apenas que irá se pronunciar “no momento oportuno”. Enquanto isso, o desgaste entre Michelle e Flávio Bolsonaro praticamente elimina qualquer possibilidade de reabertura da disputa, mantendo, por ora, Capitão Contar como o nome do PL ao Senado.
Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.