“Ampliar a presença feminina nos espaços de decisão é meu compromisso”

Primeira representante da advocacia a chegar ao TJMS pelo quinto constitucional, ela comenta os desafios da magistratura e a importância de humanizar decisões.

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“Ampliar a presença feminina nos espaços de decisão é meu compromisso”

Ana Carolina Ali Garcia! Foto-Divulgação.

Recém-nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Ana Carolina Ali Garcia inicia um novo capítulo profissional após dedicar 25 anos à advocacia e ao serviço público. Tornou-se a primeira mulher a chegar ao Tribunal pelo quinto constitucional destinado à advocacia, levando consigo uma bagagem construída como advogada, procuradora do Estado, consultora legislativa e ex-procuradora-geral do Estado — trajetória marcada pela atuação em diversos setores da administração pública.

Em entrevista ao Jornal CAPITAL DO MS NEWS, Ana Carolina comenta os desafios de migrar para a magistratura, o papel do quinto constitucional na diversidade de perspectivas dentro do Judiciário, os impactos da transformação digital e da inteligência artificial na atividade jurisdicional e a necessidade de uma Justiça mais humana, baseada na escuta atenta, na fundamentação sólida das decisões e no respeito às garantias processuais.

Ela também ressalta o compromisso de fortalecer a confiança da sociedade no Judiciário, preservar a independência dos magistrados e ampliar a presença feminina em posições de liderança.

Transição para a magistratura:
Segundo a desembargadora, assumir o cargo é resultado de uma caminhada iniciada em 1997, quando começou a estagiar em escritórios de advocacia e no Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Em 2002, passou a atuar como advogada e, três anos depois, ingressou na Procuradoria-Geral do Estado (PGE), onde desempenhou funções de representação judicial, consultoria e assessoramento jurídico. Foi procuradora-chefe em diferentes secretarias estaduais e, em 2018, tornou-se consultora legislativa — a primeira mulher a ocupar essa função. Posteriormente, dirigiu a PGE por mais de quatro anos.

Ela destaca que retornar ao TJMS como magistrada tem grande significado, já que percorreu seus corredores em diferentes fases da vida profissional: como estagiária, servidora, advogada, procuradora e, agora, desembargadora.

Contribuições da experiência na PGE:
Ana Carolina afirma que a advocacia pública lhe proporcionou contato com demandas complexas e múltiplas, reforçando a importância do contraditório qualificado, da escuta das partes e da construção de políticas públicas eficazes.

Na direção da PGE, priorizou soluções consensuais e projetos interinstitucionais, além de vivenciar na prática a relevância das prerrogativas da advocacia para o devido processo legal. Pretende levar essa visão para o Tribunal.

O quinto constitucional e a pluralidade do Judiciário:
Para ela, o quinto constitucional amplia o debate dentro dos Tribunais ao permitir a entrada de profissionais que conhecem o processo sob a ótica das partes. Essa diversidade de experiências contribui para o equilíbrio institucional e para o aperfeiçoamento do sistema de Justiça.

Desafios na 2ª Câmara Cível e na 1ª Seção Cível:
A desembargadora observa que o Judiciário vive uma fase de mudanças profundas, impulsionadas pela tecnologia, pela inteligência artificial e pela complexidade crescente dos conflitos. O desafio, segundo ela, é garantir decisões rápidas, coerentes e capazes de oferecer segurança jurídica.

A prática de uma “Justiça humana”
Ana Carolina reforça que cada decisão impacta vidas, famílias, empresas e instituições. Por isso, pretende atuar com atenção às pessoas envolvidas nos processos, respeito ao contraditório e fundamentação consistente.

Visão sobre o sistema de Justiça:
Sua trajetória em diferentes funções permitiu compreender tanto os avanços quanto os desafios do Judiciário, reforçando a importância da previsibilidade das decisões, da observância aos precedentes e da busca por soluções consensuais.

Mudanças urgentes no Judiciário:
Ela defende a continuidade dos investimentos em tecnologia, o uso responsável da inteligência artificial, a ampliação dos métodos consensuais de resolução de conflitos e o fortalecimento da gestão processual. Ressalta, porém, que princípios como imparcialidade, independência e respeito às garantias processuais são inegociáveis.

Imparcialidade e experiência acumulada:
Ana Carolina afirma que assume a função com senso de responsabilidade e propósito, deixando para trás o papel de defesa de uma das partes para exercer a missão constitucional de julgar com independência. Pretende manter um gabinete acessível aos advogados, valorizando a advocacia e a OAB.

Motivação e legado:
Após 25 anos de carreira, acredita que pode continuar servindo ao Estado sob outra perspectiva. Espera contribuir para o fortalecimento do Judiciário, para a confiança da sociedade na magistratura e para a ampliação da participação feminina em espaços de decisão. Seu objetivo é atuar com técnica, equilíbrio, humanidade e respeito às pessoas.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.