Advogados de presos por fraude no tapa-buraco preparam pedidos de liberdade.

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Advogados de presos por fraude no tapa-buraco preparam pedidos de liberdade.

A defesa do ex-secretário de obras de Campo Grande, Rudi Fiorese, preso acusado de fraudes em contratos do tapa-buraco de 2018, reclamou de ainda não ter sido liberado acesso ao inquérito e disse que irá entrar com pedido de liberdade.

Em nota, o advogado Werther Sibut diz que a prisão é medida “desarrazoada e não se coaduna com a história construída por Rudi, e parte do nosso papel é demonstrar sua conduta ilibada.”

Então, Sibut classifica como grave o fato de não ter tido acesso aos autos. ” Isso impede o exercício da ampla defesa, gera risco de manutenção de prisões injustas e castra qualquer possibilidade de questionamento judicial da decisão que decretou a prisão.”.


 

Por fim, afirmou que “a liberdade será perseguida pelos meios adequados”.

Já o advogado Fábio de Melo Ferraz, que atua na defesa dos servidores da secretaria de obras, Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, também informou que irá apresentar pedido de liberdade assim que tiver acesso ao processo. “Vamos estudar um pedido de revogação da prisão preventiva ou até um habeas corpus”, adiantou.

Apesar de ainda não saber as motivações do pedido de prisão, o advogado afirmou que seus clientes negam ter praticado os ilícitos. “Eles foram surpreendidos com essa medida e não sabem o porquê estão participando dessa operação. Mas, com mais detalhes, eu só vou poder verificar após acesso ao processo”.

Também falou com a reportagem o advogado João Vitor Comiran, que atua na defesa do engenheiro Mehdi Talayeh. Ele também reclamou da falta de acesso aos autos. Disse que o Gecoc apreendeu apenas alguns documentos, caderno de anotações, agenda e celular de seu cliente, mas que depois que acessar o inquérito também entrará com pedido de liberdade.

Já o advogado Cauê Dantas, que atua na defesa de Edivaldo Aquino, disse que a prisão “Não se trata, portanto, de cumprimento de pena, tampouco de reconhecimento judicial acerca da prática de qualquer conduta ilícita”.

O advogado também pontua a falta de acesso aos autos. “Que inviabiliza o pleno exercício dos direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório e torna impossível qualquer manifestação técnica aprofundada”.

Por fim, adiantou que “restará demonstrada a ausência de qualquer fundamento que legitime e justifique a medida cautelar imposta e, com isso, a liberdade de Edivaldo será restabelecida”.

As defesas dos demais investigados também foram procuradas, mas não retornaram aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.

Operação Buraco sem Fim:
Em 12 de maio de 2026, o MPMS deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buraco.

A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.

Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.

Assessoria de Imprensa do CAPITAL DO MS NEWS.